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Exportações do Rio Grande do Sul sofrem queda de 10,5% em janeiro

Data: 26/02/2015
Jornal do Comercio RS

Apesar do volume exportado subir 4,4%, valor das vendas teve redução de US$ 113,7 milhões
Júlia Lewgoy

De um lado da balança, a indústria afundou. De outro, puxado pelo trigo, o agronegócio subiu. O resultado final das exportações gaúchas em janeiro foi de queda em relação ao mesmo mês do ano anterior. Apesar de registrar redução menor que o Brasil e permanecer como o quarto maior estado exportador do País, o Rio Grande do Sul enfrenta um cenário de pouco ânimo em suas exportações. Em janeiro, as vendas internacionais gaúchas reduziram US$ 113,7 milhões, o equivalente a 10,5% em valores, de acordo com a divulgação da Fundação de Economia e Estatística (FEE).

O volume exportado, no entanto, foi 4,4% superior ao de janeiro do ano passado. As exportações nacionais enfrentaram queda de 14,5% em valores, e crescimento de 3,6% em volume. Se as exportações do Estado caem e as do País também, significa que o problema pode estar no cenário internacional e na política de câmbio, como explica o economista da FEE Adalberto Maia Neto, coordenador do Núcleo de Indicadores Conjunturais. "A questão não é falta de oferta ou baixa capacidade produtiva no Estado. É falta de mercado internacional. O mundo inteiro deixou de comprar", garante.

A indústria de transformações foi a responsável pelo desempenho negativo das exportações gaúchas em janeiro, apresentando queda de
US$ 194,3 milhões, o que representa 18,6%. O volume exportado também foi reduzido em 12%, e os preços estiveram 7,5% abaixo dos praticados em janeiro de 2014. Entre os principais setores da indústria que demonstraram declínio estão os de derivados de petróleo, produtos químicos, produtos alimentícios e máquinas e equipamentos. Já o fumo se destacou entre as exportações positivas, com aumento de 15,4% em valores.

O trigo foi o protagonista do desempenho positivo das exportações do agronegócio em janeiro, que saltaram 371,7% em valores, o que significa US$ 81,9 milhões a mais do que em janeiro do ano passado. Em volume, houve um pulo de 745,9%, mas os preços dos produtos agrícolas gaúchos exportados reduziram 44,2%. Apesar da queda de 32,3% no preço do trigo exportado, o aumento de 2.940% no volume fez o trigo puxar as exportações gaúchas. A maior parte do trigo gaúcho em janeiro foi para países asiáticos, entre eles Tailândia e Bangladesh.

O economista da FEE Guilherme Risco destaca que o Rio Grande do Sul soube aproveitar o cenário internacional favorável para multiplicar as exportações de trigo, além de lã e arroz. "Nosso trigo não é tão bom em qualidade, mas a falta de confiança na Ucrânia e na Rússia, por questões políticas, motivou países a comprarem do Brasil", explica.

Os países para onde o Rio Grande do Sul mais exportou em janeiro foram Argentina, Estados Unidos, Holanda e Coreia do Sul. A China, tradicionalmente o país que mais importa dos gaúchos, não entrou na lista desta vez, porque ainda não chegou a hora da safra da soja.

 

Carnes podem elevar vendas do País à China

O setor de carnes (bovina, frango e suínos) nacional é o que apresenta o maior potencial para estimular vendas ao mercado chinês. Segundo André Soares, executivo do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) e um dos autores do estudo "Oportunidades de Comércio e Investimento na China para setores Selecionados", em carne bovina, por exemplo, é possível dobrar o valor no comércio bilateral entre os países.
"O problema é que temos que superar a questão burocrática da habilitação de unidades aptas a exportar ao país, além de aumentar as parcerias em distribuição", disse.

"Acreditamos do potencial da China em alavancar as nossas vendas, mas temos muita dificuldade de acessar esse mercado com qualidade", informou o diretor de Relações Governamentais da JBS, Wilson Mello Neto. Ele explicou que o Brasil está conseguindo acessar a China via Hong Kong, inclusive com preços menores do que a China é capaz de pagar.

O diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Fernando Sampaio, disse que as vendas de carne bovina à China estão interrompidas desde 2012, por conta de um caso atípico de vaca louca no País.

"O embargo oficial não existe mais, mas não estamos conseguindo vender ao país. Estamos na fase da negociação de um novo protocolo/certificado sanitário para retomar exportações", afirmou. Na época do embargo, o Brasil vendia 17 mil toneladas de carne bovina ao país. Em 2014, foram 400 mil toneladas embarcadas para Hong Kong.

"Tivemos uma receita cambial recorde de US$ 7,2 bilhões de vendas externas de carne bovina. Um quarto disso foi para Hong Kong", completou Sampaio.

No levantamento da CEBC feito em conjunto com a Apex-Brasil, além da carne bovina, têm potencial de vendas ao mercado a carne de frango e suína, suco de laranja e outros sucos, café, celulose, soja e calçados. "Carne suína também tem potencial grande por conta do aumento da renda per capita do chinês. Hoje, a China importa somente 2% do que é consumido, mas que já a coloca como a maior importadora mundial da proteína", disse a gerente da Apex-Brasil, Sophia Costa.

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