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Valor Econômico

O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o banco dos Brics, "está chegando ao Brasil", afirmou seu diretor-geral para estratégia e parcerias, Sergio Gusmão Suchodolski, em entrevista ao Valor, na qual detalha os próximos passos no país. O banco negocia a abertura em 2018 no Brasil de seu escritório regional para a América Latina, projeta expansão dos financiamentos para as empresas privadas, parcerias com grandes bancos do país e dobrará o número de funcionários brasileiros até o fim do ano em Xangai, onde tem sua sede.

A instituição começou a funcionar em 2015 e é controlada pelo bloco de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O Brasil já contribuiu com mais de US$ 500 milhões, e completará US$ 700 milhões na integralização do capital do NBD em janeiro de 2018. A expectativa é que em janeiro de 2022 o Brasil tenha contribuído com US$ 2 bilhões, equivalente a sua participação de 20% num capital integralizado de US$ 10 bilhões, volume que, segundo o executivo, é maior do que o capital de alguns bancos multilaterais de desenvolvimento.

A abertura do escritório da América Latina, em São Paulo ou Brasília, ajudará muito a desenvolver a carteira de empréstimos no país, diz Suchodolski. Inicialmente o escritório vai se concentrar nas operações no Brasil e depois em toda a região quando houver a expansão do número de sócios.

Para governo e setor privado brasileiros, a representação do banco dos Brics é importante inclusive porque o país é o mais distante fisicamente da sede da instituição. E é necessária presença local para estimular elaboração de projetos que poderão ser financiados, na avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

No geral, o banco planeja expandir os empréstimos totais em 60% em 2018, alcançando US$ 4 bilhões, segundo seu vice-presidente chinês, Zhu Xian, disse à imprensa. De seu lado, Suchodolski prevê que o esforço no Brasil vai ser bastante grande para aumentar o pipeline de projetos "e o valor dos financiamentos poderá ser de algumas centenas de milhões de dólares".

Atualmente, uma missão do banco encontra-se no Brasil. Nesta semana, visita Pará e Maranhão para discutir financiamento de projetos, depois de ter passado por Brasília. No plano de ampliar fortemente o portfólio no Brasil, o banco decidiu começar a financiar projetos privados dispensando a garantia que o governo federal dá por meio da Cofiex, a Comissão de Financiamentos Externos, do Ministério do Planejamento.

"Pretendemos ter até 30% do portfólio com operações sem garantia soberana", diz o executivo. Em vez disso, a instituição fará avaliação de risco das empresas e dos projetos seguindo outros mecanismos de operação bancária privada, com garantias comerciais normais. Até agora, os financiamentos examinados envolvem sobretudo governos estaduais, prefeituras e operação com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Suchodolski destaca que a estratégia do banco e uma das prioridades definidas pelos chefes de Estado em Goa (Índia) é a associação em projetos entre empresas de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. "O banco poderá ser uma das opções de financiamento para essas companhias", diz ele.

Além disso, o banco dos Brics vai assinar memorandos de entendimento com grandes instituições brasileiras, como Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander, para troca de conhecimento e cessão de funcionários, como também já examinam operações conjuntas. Atualmente, o banco tem cooperação com o BNDES.

A instituição dos grandes emergentes vai igualmente aumentar o contingente de funcionários brasileiros até o fim do ano, de 7 para 14, em Xangai. Ainda assim, os brasileiros são os que menos se candidatam a trabalhar no banco, apesar dos salários bastante atraentes. "Precisamos de mais brasileiros aqui", diz o executivo.

No próximo grande encontro anual do banco, no fim de março e começo de abril de 2018 em Xangai, a expectativa é de presença importante de autoridades brasileiras, empresários e acadêmicos. Inclusive porque em 2020 o Brasil assumirá a presidência executiva da instituição. Em 2021, o banco vai ser transferido para sua nova sede de 34 andares em Xangai, ilustrando a ambição chinesa para a instituição.

Um dos temas na agenda do encontro anual será a expansão dos sócios, para captar mais recursos e ampliar os créditos para projetos de energia renovável, por exemplo. Em Brasília, o Ministério da Fazenda deverá anunciar em breve quem será o novo vice-presidente executivo do banco pelo Brasil, depois da saída do economista Paulo Nogueira Batista Júnior.

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